Dia da Arte #45

“UM SONHO DE LIBERDADE” | 2010 | óleo sobre tela | 90×70 (A dream of freadom)
ARTUR BARROS | ESCRITOR E PINTOR

https://www.facebook.com/pages/Artur-Barros/168989929961736

Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda~Cecília Meireles

(Freedom is a word that the human dream feeds, no one can explain it, and anyone who does not understand it ~ Cecilia Meireles)

Anúncios

Sou Dono das Estrelas – Artur Barros

ab

Sou dono das estrelas que conheço,
De quantas eu já vi no firmamento.
E à noite, quando solto o pensamento,
A todas, todas elas tenho acesso.

É então que a mim próprio me ofereço
O prazer que vislumbro num momento
E garante o integral conhecimento
Do Universo sem fim e sem começo.

Mergulho em profundo meditar,
Recolho ao meu mais antigo lar,
Aquele donde não há mais regresso.

Sou eu, sou toda a terra, todo o mar,
Sou estrela, sou espaço interestelar,
Sou cosmos, sou um nada sem ter preço.

Sou sonho, sou real, sou contingente
Sou morte, o nascer, o navegar.
Olho dentro de mim e estou a olhar
O todo de onde o nada é emanente.

Caminho pela estrada impunemente,
– Um fio de navalha a atravessar.
E a luz que muito ao longe está a brilhar
Inunda este meu ser completamente.

Sou tudo, não sou nada e nada sei,
Apenas pude ver o que olhei:
A estrela mais longínqua do Universo;

A estrela por quem sempre procurei,
Pois meu olhar em mim logo encontrei:
Foi um olhar-saber-sentido-inverso.

~ “SONETOS” | Artur Barros ~https://www.facebook.com/pages/Artur-Barros/168989929961736

In English: I’M OWNER OF STARS

I own the stars that I know,
Of how many I’ve seen in the firmament.
And at night, when I free thought,
To all, all of them I have access.

It is then that I offer myself
The pleasure that I glimpse in a moment
And it ensures full knowledge
Of the universe, without end or beginning.

Deep diving in meditation,
I return to my oldest home
The one where there is no return.

Me, I’m the whole earth, the whole sea,
I’m a star, ‘m interstellar space,
‘m cosmos, ‘m a nothing without a price.

‘m dream, ‘m real, ‘m contingent
I am death, birth, navigate.
I look inside me and I am looking
The whole, from the nothing is immanent.

I walk, unpunished, down the road
– A razor’s edge to cross.
And the light, that far away is shining
Completely fills, this being of mine.

I am everything, I am nothing and know nothing,
Only me, could see what I glanced:
The most distant star in the universe;

The star, that I’ve always looked for,
For my looking into myself, soon found:
It was a glance-know-sense-reverse.

“SONNETS” | by Artur Barros